Fatores que Determinaram a Mudança no Rastreamento do Câncer do Colo do Útero
Palavras-chave:
Papillomavirus; DNA; Rastreamento; Câncer do Colo do Útero; Saúde da MulherResumo
O câncer do colo do útero permaneceu como uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil, configurando-se como o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres. Historicamente, o rastreamento no Sistema Único de Saúde baseou-se na citologia oncótica, mas a associação entre o Papilomavírus Humano e a carcinogênese cervical impulsionou o desenvolvimento de testes moleculares. Este estudo, por meio de uma revisão integrativa da literatura, analisou a transição do rastreamento no SUS para a implementação do teste de DNA-HPV como método primário. A busca foi realizada entre outubro e novembro de 2025, utilizando artigos das bases SciELO, LILACS e Google Acadêmico. A Portaria SECTICS/MS nº 3, de 7 de março de 2024, incorporou os testes moleculares ao SUS, reconhecendo sua maior sensibilidade em comparação à citologia. As diretrizes passaram a recomendar o teste a cada cinco anos para mulheres de 25 a 60 anos. Concluiu-se que a transição representou um avanço significativo, com potencial para reduzir a incidência e a mortalidade, embora seu sucesso dependesse da superação de desafios logísticos e da garantia de fluxos resolutivos na rede de saúde.
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